sexta-feira, 27 de julho de 2012


                              Vila Leopoldina




As pessoas se preparavam para mais um dia de trabalho. Existiam nas  redondezas várias empresas para  onde  elas  se  dirigiam:  Frigorífico  Armour,  na “Borracha” como era chamada a Manufatura  de  Artigos  de Borracha  e  Plásticos  Pagé,  no  “Fósforo” como  era  chamada  a  Cia.  Fiat Lux,  na  “Maizena”  como  era  chamada  a  Refinações  de  Milho  Brazil,  no   “Óleo  Saúde”  como  era  chamada  a   Cia.  Anderson  Clayton,  Sabonete  Lever,  Metalúrgica  Codiq,  Laboratório  Farmacêutico  Lorenzini, Fundição  Sofunge,  Rádios  Telespark,  Tubos  Hume,  no  “Pó”  como  era  chamada   a  Quartzolit, na “Caixinha’’ como era chamada a Indústria de Embalagens  Americanas,  Honegger  Máquinas  e  Acessórios, etc.

Na  descida  do  abacateiro  (início da Rua Aliança Liberal) já se  escutava  o  sino do carroção de leite (Vigor ) puxado à cavalo. Os moradores  colocavam os litros de vidro vazios na porta das casas, para serem trocados  pelos novos litros cheios de leite.  As carroças dos padeiros entregavam os  pães  logo  pela  manhã. Essa  entrega  era  marcada em caderneta, que no  final do mês, quando a conta era quitada o freguês ganhava um pão doce  como brinde. (Padaria do Sr. Genaro Grandino), e Padaria do Sr. Antonucci),quem não se lembra do pão Sovado, da Chopa, do pão Suiço, pão D'água, do Filão hoje (Bengala), dão até água na boca, tempo em que ainda não havia o terrível bromato de potássio. As cadernetas também eram utilizadas nas compras no   armazém  de  “secos  e  molhados”,  e  ao  final  do  mês,  a  conta  era  paga  e o freguês ganhava  uma  lata  de  marmelada  marca  Peixe como brinde. 

Em  cada  esquina da Rua do Corredor  (atual Rua Guaipá),  tinha  uma  dessas  Vendas,  onde  se  vendiam  arroz  e  Feijão  à  granel.  Havia  as  vendas  do   Roque Dyonisio Scavazza (Empório Bonfinense), José Cardoso, Josué de Oliveira Paulino, Camilo Dias do Nascimento, Antonio Martinho, Totó (Antonio Della Paolera) e  a  do  Porfírio Fernando dos Santos,  onde  em  frente a  mesma,  tinha  uma  bomba  de  gasolina  do  Sr.  Nicola,  que  abastecia  os  poucos  carros  daquela  época. 

Outros  comerciantes  da  Rua  Corredor:  Loja  de  Armarinhos  do  Sr.  Anelo Tocci  que  existe  até  hoje. O Sr. Angelo Ferrante das bicicletas, loja de venda de peças, consertos e aluguél, o cliente escolhia a bicicleta pagava Cr$. 5,00 e andava por 1:00 hora, Loja esta do lado com o bar de um Sr. Apelidado de Argentino (Manoel Granado, Um  dos primeiros barbeiros, Sr. Natalino Domingos  tinha  uma  grande  clientela,  pois aos  Sábados  tinhamos  que   esperar  a  vez.  Os   primeiros  médicos  da  Vila  Leopoldina  foram:  Dr.  João  Neder   na Rua do Corredor e o  Dr.  Lafayete Leite Ribeiro na Rua Curupaiti. Havia a Sociedade Beneficente Bandeirante onde  os  sócios pagavam uma mensalidade e tinham direito a assistência médica e odontológica. Hoje   o  seu salão é alugado  para  eventos,  casamentos,  aniversários,  etc. 
Na  esquina  da  Rua Aliança Liberal com a  Rua Cel. Botelho   havia  o  bar  do  Sr.  Alberto Correa,  onde  as  pessoas  iam  jogar   Bilhar  ( Snooker  ou  Sinuca ) com seu filho Tinho.  Havia  também várias  escolas  particulares,  uma  delas  a  do  Sr.  José  Joaquim (Zé Careca) com bons trabalhos prestados aos moradores,  ensinando os primeiros passos para a alfabetização.  No início da Rua  Aliança Liberal tinha uma sala de aula,  onde lecionava a Dona  Maria,  que ensinava as crianças a ler e escrever. 

Havia  vários  vendedores  de  porta  em  porta.  Um  casal  com  uma  carroça  tipo  diligência vendia batatinhas, um senhor com  uma  sacola  nas  costas vendia sementes, uma mulher  vendia   fígado,  outros  vendiam  alho,  o Sr.  Paschoal Evangelista  era  o  peixeiro.  O  Zé  das   Cabras (José Grechi) ia  pelas  ruas  com  várias  cabras,  uma   amarrada  as  outras  passando pelas  casas vendendo leite tirado na hora, um  turco (mascate) vendia roupas com  uma  charrrete,  tudo  marcado  em  cadernetas e pago no fim do  mês. 

Outros  vendedores:  Água  Mineral  Fontalis,  de  bananas,  guloseimas    como:  quebra-queixo,  puxa-puxa,  sorvetes, e biscoito  grosso de polvilho,  que era cortado com uma serrinha e vendidos aos pedaços. Muito  gostoso  também eram os canudos de côco.  Tinham também os homens que consertavam  à domicílio guardas-chuva, panelas, o (Sr. Jorge) sapatos, etc.

Algumas  lojas e produtos  comercializados  naquele  tempo,  e  muitos  vendidos  até  hoje. Lojas: Mappim,  Pirani/Philco, Sears, Mesbla, Cassio Muniz, Pernambucanas, Casa José Silva, Renner etc. Farmácia:Pomada  Minancora,  Creme  Rugol,   Veramom,  Licor  de Cacau  Xavier, Biotônico  Fontoura,  Emulsão de  Scott,  Xarope  São  João,  Vinho  Reconstituinte  Silva  Araujo, Pilulas   de  Vida  do  Dr. Ross,  Água  Ingleza,  Sabonete  Lifebuoy, sabone Eucalol. Armazem: Cervejas  Antarctica,  Brahma,  Mossoro,  Caracú,  Malzebier. Refrigerantes  Guaraná,  Seven-up,  Crush,  Coca-Cola,  Água  Tônica,  Gasosa, Turbaina, Outros  produtos:    Marmelada  Peixe,  Biscoitos  Duchen,  Diziolli Balas  e  Chocolates, Chocolates Falchi, Drops  Dulcora,  Balas  Bela  Vista, Maizena,  Chocolates  A  Sultana,  Lacta,  Chicletes  Adams, J. Macedo (Dona Benta), Toddy, Nestlé, Vigor, Aveia Quaker, Bom-Bril, Corante Guarany (tingir roupas), Cera Parquetina (brilho no assoalho), era usada tambem uma pedra de Anil para branquear as roupas, sabão só em pedra, para matar pernilongos era usada uma  Bomba  manual  na qual era abastecida com   inseticida  Flit ou  Detefon que era pulverizado dentro das residências. Os Cigarros: Beverli, Everest, Continental, Fulgor, Macedonia, Hollywood, Adelpho. Algumas marcas de Máquinas de Costura: Singer, Elgin, Vigorelli, Leonam. Alguns Jornais: O Estado de São Paulo, Última Hora, Folha de São Paulo, e Revista O Cruzeiro, etc.     

Os  garotos se preparam para ir a escola localizada no fim da Rua do Corredor  (Guaipá)  lado  esquerdo  de  quem  desce,  entre  a  venda  do  Sr. Antonio Martinho e o açougue do Sr. Gino Frediani, onde era o Grupo Escolar de Vila Leopoldina, escola esta do Governo do  Estado de São Paulo, na qual era Diretora a Dna. Nina. Algumas professoras daquela época: Dna.Ana Zanini Scarlati, Rafaela, Bruna, Celina, Sara, etc. As classes eram divididas em 3 horários:  das 8:00 às 11:00h, das 11:00 às 14:00h e das 14:00 às 17:00h. Nós aprendemos a ler e escrever com a Cartilha Sodré e com o livro Lições do Tio Emílio, tinhamos tambem os cadernos de brochura de Ocupação, Linguagem, Caligrafia e Desenho, os cadernos de forma espiral eram só permitidas no Ginásio, para escrever usava-mos uma caneta com uma pena na ponta que era introduzida em um tinteiro que todas as carteiras possuiam, para evitar borrões usava-se um mata-borrão, um papel especial  que absorvia a tinta. Os materiais escolares eram comprados da Cia. Melhoramentos Ind. de Papéis, Fritz Johansen, e Johan Fabber. Com o fechamento desta escola os alunos foram transferidos para a Escola Professor José Monteiro Boanova  no Alto da Lapa. Como naquele tempo as escolas das vilas não tinham o curso Ginasial, nós  tinhamos que fazer um exame de Admissão para entrar no colégio Anhanguera, na Rua Clélia com a Rua Nossa Senhora da Lapa, antiga  Rua Anastácio. Outras  escolas  Liceu Barbosa Lima,  Campos  Sales, Olavo Bilac, Grupo Escolar Pereira Barreto, Conselheiro Lafayete, Liceu Nossa Senhora da Lapa  etc.

Os garotos que não iam a escola naquele período jogavam futebol no Campo  do A.P.Vasco da Gama (Vasquinho) na Rua Montevidéo com a Rua Aliança Liberal, ali eram realizados torneios da turma de cima (Açougue do Rivetti), contra a turma do meio (Padaria Sr. Genaro) e contra a turma de baixo (Fá- brica de Borracha Pagé).  Naquele  tempo  a  maioria  dos  garotos   jogavam futebol descalços, pois os pais não tinham condicões financeiras para comprar um par de chancas (chuteiras) Alguns garotos que jogavam futebol: Salim da família Oliveira, Dorobel Cabrera, Tuto (Antonio Tondin), Henrique Rodrigues Cabrera, Nenê da Padaria (Wanderley Antonio Cardoso), Irineu Roque dos Santos, (Zupa) Luis Adão, Fausto Medeiros, Walter Tondin, Adilson Rivetti, Zéca (José Carlos Winckler), Walter Winckler, Adelino Pinheiro, Haroldo Rivetti, Rodolpho Felipe que acidentou-se em sua casa, onde hoje é o estacionamento do Supermercado Mambo, quando o caminhão do seu padrasto, que transportava as mercadorias para trabalhar na feira, estava em cima de um macaco para ser trocada a roda tombou em cima de sua perna. Foi uma gritaria em plena madrugada, com os vizinhos correndo para socorre-lo. Sorte que seu vizinho Sr. Afonso Correa possuia um carro de praça (taxi) e o levou ao Hospital. Felizmente tudo acabou bem), e Abel (de triste lembrança, espetou um prego enferrujado no pé e acabou morrendo de tétano). Outros garotos iam pescar e nadar nas lagoas Tanque Azul e Prainha, onde fica hoje o Ceasa. Alguns iam pegar passarinhos, outros iam na chácara Aliança (Rua Ziembinski), antiga Rua Barão do Triunfo pegar jaboticabas. Tinham também os que arrumavam um gancho de arame para empurrar um aro de metal, outros empurravam pneus usados pelas ruas.

Várias brincadeiras eram praticadas. Boca de Forno: farão tudo que o mestre mandar, faremos  com  muito  gosto,  quem  não cumpria a tarefa ficava de castigo. Uma na mula: pessoa ficava agachada, as outras vinham e pulavam em cima.  Palha ou Chumbo: as pessoas ficavam de costas com as mãos na parede, os outros vinham e iam pulando em cima até as crianças não aguentarem mais, ai desmoronava tudo. Carrinho de carretel: fazia-se dois furos numa pequena tábua, colocava-se um carretel na frente e outro atrás e com o dedo indicador no carretel da frente controlava a direção, naquele tempo não existia carrinho de plástico, somente de Baquelite. Alguns garotos jogavam figurinhas (Bafo), a mão na forma de concha batia no monte de figurinhas, as que viravam com a estampa para cima a pessoa ganhava. Havia vários álbuns de figurinhas a seguir: Futebol - vinha enrolada em uma bala, tinha também as carimbadas que eram mais difíceis de sair, portanto tinham mais valor, os álbuns “Balas Seleções” tinham vários assuntos de conhecimentos gerais. Outros álbuns de figurinhas: “Ídolos da Tela”, “Gata Borralheira”, “Marcelino Pão e Vinho”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, essas já começaram a ser vendidas em envelopes. Havia também figurinhas que vinham dentro do pacote de café Jardim. Quem conseguia preencher o álbum ganhava prêmios, como bolas de futebol de Capotão, marca Drible, que era de válvula e enchida com uma bomba de agulha. Antes as bolas tinham uma câmara de ar com um bigolim que era colocado para dentro e costurada formando uma boca. Havia uma brincadeira com bolinhas de vidro (Gude), que se chamava “Bolinha a Box”. Se fazia cinco buracos no chão, e quem conseguia colocar as cinco bolinhas no buraco ganhava o jogo. Alguns garotos empinavam Quadrado (Pipa), outros jogavam pião, outros faziam Balões: Pião, Caixa, Almofada, Barrica, Careca de Padre, Charuto, Bola, etc.
Outro jogo que os garotos gostavam era a Caixeta. Colocava-se uma moeda em cima de uma caixa de fósforo em pé, uma outra moeda de 400 Reis era jogada contra a caixa a uma certa distância, quando derrubada, a moeda que ficasse mais perto da caixa ia ganhando as mesmas. As meninas pulavam Amarelinhas, Ciranda de Roda, Pula-corda, Esconde-esconde (Pegador).

Na Rua do Corredor eram montados vários Circos que chegavam na região: Rubi, Umuarama, Alcebiades, Guarani, onde aos domingos de matinê passava o seriado o Homem-aranha e o Escorpião. Também se apresentavam os artistas Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco, Cascatinha  Inhana, Simplício, e Arminda Falcão. Alguns  palhaços  mais famosos de São Paulo,  Arrelia  e  Pimentinha,  Piolim, Fuzarca  e  Torresmo.

Alguns garotos gostavam de ler Gibis de Histórias em quadrinhos, entre eles o do Mandrak, o Fantasma, Capitão América, Capitão Marvel e o Dr.Silvana, Nabor o Príncipe Submarino, o Homem Borracha, o Pequeno Sherif, Xuxá, Pato Donald,  Zé Carioca, o Reizinho, Popeye, praticamente todas Importadas  dos  EUA.

Também eram montados vários parques de Diversão. No mês de Junho começavam as festas Juninas, com Quermesse nas várias Igrejas da região, entre elas a da Igreja N.S. Fátima, na Rua Barão da Passagem no Alto da Lapa.

Naquela  época  o rádio já tinha uma grande importância como meio de comunicação, um dos que mais se destacava era o reporter (Esso) testemunha ocular da história, com os reporteres Calil Filho e Heron Domingues, tinha também vários programas: (O Trabuco) Jornalistico com Vicente Leporace, ( O Clube do Papai Noél ) programa infantil com Homéro Silva, Nhô Totico escolinha da Dna. Olinda, na hora do almoço(Torre de Babel) humorístico,escrito por Manoel da Nobrega, a (história das malocas) Charutinho com Adoniram Barbosa, Balança Mas Não Cai, e a tarde aos sábados (Peneira Rhodine) calouros, nos Domingos as 18:00 hs.( Festa na Roça) com música caipira e sertaneja, a noite (PRK-30) humor com Lauro Borges e Castro Barbosa e as 22:00 hs. (Hora da Saudade) com Moraes Sarmento, só músicas brasileiras valsas e chorinhos, locutores esportivos Pedro Luis e Raul Tabajara, cantores Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Orlando Silva o cantor das  multidões, algumas cantoras Hebe Camargo, Vilma Bentivegna, Lana Betancourt, Dalva de Oliveira, Araci de Almeida, algumas marcas de rádios daquele tempo ( Zenith, Philco Philips). Não podemos também esquecer das Rádios-Vitrolas, em um único móvel, em baixo o Rádio e em cima a Vitrola que tocava disco apelidado  de (bolacha) feito com material duro e tendo uma música de cada lado mais tarde vieram os discos de Vinil com 8 músicas de cada lado,  uma das gravadoras  muito conhecida  naquele  tempo era a  RCA, tinhamos tambem a Continental, Odeon etc. Alguns  musicos  famosos  Pixinguinha (saxo-fone), Altamiro Carrilho e Benedito Lacerda (Flauta) etc.

Um dos meios de comunicação mais precários daquela época era o Telefone. Poucas pessoas tinham uma linha, seu custo era alto, e o prazo de entrega, poderia demorar de  5 a 10 anos. Para se ter uma idéia, ligar da Lapa para Osasco, precisava pedir linha para a telefonista e o tempo de espera era de aproximadamente  2:00  horas.

Depois chegou a era do Cinema, onde vários foram construídos na região. O Cine Bagdá (Ararat) na Rua do Corredor (Guaipá), Dois filmes à noite, e aos domingos matinê com dois filmes e um seriado: Flash-Gordon, Perigos de Nyoka, os Tambores de Fumanchú, Jim das Selvas, com Jonny-Weismuller (Tarzan). Cine Brasília na Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, onde até pouco tempo era o Supermercado Pão de Açúcar, Cine Santo Estevão na Vila Anastácio do lado da Igreja, Cine Nacional na Rua Clélia era o maior de todos com mais de mil lugares, onde até pouco tempo era a casa de espetaculos (Olimpia), Cine Tropical na Rua Roma, onde é hoje o Banco Itaú, Cine Recreio na Lapa de Baixo em frente onde era a Fábrica Martins Ferreira, Cine Carlos Gomes na Rua 12 de Outubro, onde hoje é a Lojas Americanas, Alguns atôres e atrizes daquela época  James Stewart, Gary Cooper, Toni Curtis, Humphrey Bogart, Ray Milland, Bing Crosby, Glenn Ford, Kirk Douglas, Antony Quinn, Victor Mature, David Niven, Burt Lancaster, Gregory Peck, Mario Moreno (Cantinflas), Elizabeth Taylor, Rita Hayworth, Joan Crawford, Jane Russell, Dorothy Lamour, Vivian Leigh, Loretta Yong, Jane Wyman, Yvonne de Carlo, Lucille Ball, Lana Turner, Ava Gardner, Dorys Day, Hedy Lamar, Tonia Carrero, Fada Santoro, Eliana Lage, Dercy Gonçalves. Alguns filmes: Sansão e Dalila, Manto Sagrado, Casa Blanca, Quo Vadis, Os Últimos Dias de Pompéia, Cleópatra, E o Vento Levou, Tarzan e as Amazonas, etc. Naquele  tempo foram abertas várias empresas  cinematográficas no  Brasil  uma delas a Vera-Cruz, produzindo alguns filmes famosos como o Cangaceiro  protagonizado por Milton Ribeiro como Lampião, Tico-Tico no Fubá com Anselmo Duarte fazendo o papel do compositor Zequinha de Abreu, Sinha-Moça, Tinhamos tambem a Atlântida Cinematográfica com o filme Carnaval na  Atlântida com  os  artistas  Oscarito  e  Grão de Otelo,  Aviso aos Navegantes, etc.
Algumas Empresas  Americanas  daquela  época: Columbia Pictures,  Paramont  Pictures, Republic Studios, Metro Goldwyn  Mayer,  RKO. Radio Pictures, United  Artists Corp., Universal International, Warner Bros, 20Th. Century Fox.  etc. O  Brasil  foi  1o. pais da América do Sul  que fez do cinema um espetáculo,  em 1.897  no  Teatro  Lucinda no Rio de Janeiro estreou o Kinetógrafo um projetor de fotografias  animadas.

Naquela época, com o surgimento da Televisão, foi inaugurado no Brasil em 12 de setembro de 1.950 o primeiro canal de televisão da América Latina com o nome de TV/Tupi, tendo como simbolo o rosto de um Índio, os equipamentos foram comprados nos EUA e montados  no  Brasil com ajuda de técnicos Americanos, quando as  imagens entraram no ar foi percebido que nós não tinhamos aparelhos de TV., imediatamente o Sr. Assis Chateaubriand comprou dos EUA 200 aparelhos, na qual foram espalhados  em vários pontos da cidade de São Paulo. Nesse período começaram a chegar os primeiros aparelhos da marca (Admiral e Invictus)  branco e preto importados, controle remoto não existia, poucas pessoas tinham condições de comprar um, a saída era ir aos bares da redondeza onde tinha o aparelho, alguns dos programas de maior audiência era as Grandes Atrações Pirani/Philco, TV de Vanguarda, Camera Um, Imagens do Dia (Homero Silva), Pinga-Fogo (Almir Guimarães), Mappim Movietone (Roberto Corte Real), Reporteres, Carlos Spera, Murilo Antunes Alves, José Carlos de Moraes o Tico-Tico,  tinhamos tambem o Circo do Arrelia, Sítio do Pica-Paú-Amarelo, Alguns dos primeiros artistas da TV. Walter Foster, Vida Alves dando o primeiro beijo na televisão, Lima Duarte (Novelas), Aurélio Campos (O céu é o Limite) Hebe Camargo, Nair Belo, Ivon Curi ( Programa de Auditório) Ayrton Rodrigues, Lolita Rodrigues (Almoço com as Estrelas), Manoel da Nobrega (Praça da Alegria) Eva Wilma e John Herbert (Alô Doçura), J. Silvestre, Blota Jr. ( Entrevistas) Um dos primeiros diretores de TV. Sr. Cassiano Gabus Mendes. Mais tarde foram inauguradas a TV. Record, TV. Excelsior etc. No fim da Rua do Corredor, lado esquerdo onde é hoje um posto de gasolina, era o bar do Gama. Antes de ir para a escola, íamos assistir o desenho do Pica-pau. Tinha também um aparelho em um bar em frente ao Colégio Basílides de Godoy e outro, em um bar na Rua Aliança Liberal, esquina com a Rua Cel. Botelho, bar do Português, que aos domingos, lotava, quando passava o jogo de futebol entre o Palmeiras e o Corinthians. Bar de triste recordação, pois ali foi assassinado o soldado do exército Geraldo, filho do Delegado, Antonio Bento  Garcia, por um soldado da Força-Pública, hoje Polícia Militar, em uma discussão sobre  a  quebra  de  uma bicicleta.

Aos domingos tínhamos poucas opções de lazer, uma delas era assistir aos jogos de futebol no campo do A.P. Vasco da Gama (Vasquinho). Vários jogos aconteciam ali: Vasco x Bela Aliança, Vasco x Serrote, Vasco x Continental, Vasco x 11 Irmãos Patriotas, Vasco x 9 de Julho F.C., Alguns jogadores do Vasquinho: Batatais, Coque, Bica (Amilcar de Oliveira), Miolo, Paco, Ramom Sevilha, Fausto Medeiros, Jaguaré, Piste. O Sr. Martins (Alfaiate) morava na sede do Vasco, na esquina da Rua Aliança Liberal com a Caromandel. Ali eram guardadas as Taças, Troféus, Bolas e camisas do clube. Tinhamos tambem  outros  clubes: Ipiranga, Comercial, Nacional,  União Lapa,  Lapeaninho,  etc.

Quando se escutava a sirene do carro do Corpo de Bombeiros descendo a Rua do Corredor, já se sabia que algo de grave havia acontecido. Os garotos iam nadar nas lagoas onde hoje é o Ceasa, e muitos ali morreram.

Quem não se lembra da Farmácia do Sr. Domingos Giubbina a primeira fármacia da Vila  Leopoldina , também na Rua do Corredor, que era o pavor da garotada, pois quem ali entrava, na certa tomava uma injeção. Outra pessoa muito conhecida era Dna. Maria Mineira (benzedeira), uma velha negra, que diziam ter sido escrava. Em sua casa, benzia contra várias doenças, como: Mijacão, Empinge, Cobreiro, Mau-olhado, Nó nas tripas (Dor de Barriga). Dna. Arminda aplicava injeção à Domicílio. Mais um conhecido, Sr. Joaquim das Botas, tinha esse nome porque as solas das botas iam se gastando e ele não queria gastar dinheiro ia pregando um couro em cima do outro, assim as botas não acabavam nunca.

No tempo das podas das Árvores da City Lapa, os galhos eram transportados por carroções puxados a cavalos, e os garotos aproveitavam para chocarem (pedir carona).

Naquele tempo não havia Banca de Jornal no bairro, quando acontecia um fato importante, como roubo ou assassinato, o Jornaleiro Giovanni vinha gritando pela rua o acontecido. Como o brutal assassinato da menina Wilma. Ela vinha da Vila Hamburguesa para a Igreja de Vila Leopoldina, para fazer o catecismo, quando foi morta brutalmente e jogada em um buraco na Rua Marquês de Paraná, sendo que até hoje o caso não foi esclarecido. Não tínhamos médicos na vila. Quando alguém ficava doente, tinha que ser chamado um médico da Lapa, como o Dr. Mario Rego Valença, Dr. Orwille, Dr. Vaz do Amaral, Dr. Efraim, Dra. Berta Sbrighi, ou o Dr. Pomponet. O mesmo problema acontecia com os Dentistas, pois quando a dor nos incomodava, tinhamos que ir até a Lapa, consultar com Dr. Cid Valente com consultório na Rua Doze de Outubro. Também não havia agência dos Correios, carteiros, nem agências Bancárias. Ponto de Táxi só na Lapa.

Os primeiros Chauffeurs de Praça (palavra francesa), hoje taxista, da Rua Aliança Liberal: Sr. Dionísio Cabrera marido da Dona Mercedes, e o Sr. Afonso Correa marido de Dona Odete. Algumas marcas e modelos de Automóveis daquela época: Mercury, Studbaker, Morris, Vanguard, Packard, Plimouth, Fiat-Topolino, Citroen, Renault (Rabo Quente), Ford, Chevrolet, Austin, Volkswagem (Fusca), Anglia e Prefect, muito usados nas Auto-Escolas. Até o  início da década de 1.940, alguns carros ainda não possuiam motor de arranque, e o motor só pegava na manivela de ferro, que ao ser introduzida no mesmo, e girada com as mãos várias vezes ligava o motor. O motorista corria então para o carro, e pisava no acelerador, para ter certeza que o motor tinha ligado.

Nos casamentos quando a família não tinha automóvel, geralmente  alugava-se um de praça, que já vinha enfeitado com flôres na parte interna, todos os convidados  saiam  da  casa  da  noiva  e  acompanhavam  até  a igreja,  Contratava-se  também  um fotógrafo  profissional  que  usava  uma máquina  que  ao ser  acionado  o  flash  acendia  uma  lâmpada  que  se  queimava,  lâmpada  essa  trocada  imediatamente  por  uma  nova  assim  sucessivamente,  depois  iam  para a revelação  e  a  montagem  do  albúm de  recordação  das  fotos  tiradas  no  casamento,  muitas  noivas  depois  da cerimonia religiosa iam até a Lapa tirar as fotos principais em um estúdio  fotográfico.

Mês de Fevereiro chega o Carnaval, as famílias levavam seus filhos no Cine Carlos Gomes, situado na Rua 12 de Outubro na Lapa, durante o dia o baile era das crianças (Matinê) com concursos de fantasias e a noite para os adultos. Tinha também  o Carnaval na rua  12 de Outubro, onde desfilavam várias escolas de samba, os blocos que mais se destacavam era dos Cordões dos Moderados  da Lapa, passavam também  grandes carros alegóricos. 

Quando  falecia  alguém  nas  redondezas  o  velório  era  feito   em  casa,  na sala  onde  ficava  o caixão  as paredes eram  cobertas  com  um  pano  roxo,  geralmente  o  enterro  era   feito  a  pé,  pois  era  muito  cansativo,  e  as  pessoas  que  carregavam  o  caixão  iam  se   revezando até o cemitério da Lapa (Goiabeira como era chamado), localiza-se atráz  do Parque da Lapa, antigamente chamado de (Morro do Querosene), porque não havia luz eletrica e as pessoas acendiam lampeões a  Querosene para  iluminar as casas.

Naquele  tempo  só  se  construiam  casas  e  sobrados,  prédios  só  no  centro  da  cidade,  as  ruas  eram  de  terra,  água  potável  somente  de poço  tirada  com  um balde  amarrado  em  uma  corda  em  um  sarilho, esgoto  tratado  não  existia,  todas  as  casas  possuiam  uma  fossa  séptica no  fundo  do  quintal  bem  distante  do  poço  para  evitar  a  contaminação pelos excrementos, fávelas  não  existiam  somente  cortiços,  isto  é  em um quintal eram construidas várias  casas  com  2  comodos  que   eram   alugadas  para  as  famílias tendo  banheiro  e  poço  coletivo.  Não  tinhamos  iluminação  pública  nas  ruas, foi  a  empresa  Canadense  The  São  Paulo  Tranway  Light  &  Power  Co. Ltd.  que  começou  a  tirar  São  Paulo  da  escuridão,  sendo  tambem  a  responsável  pelo  transporte  por  meio  de  bondes  (Camarão de  Luxo  e  o  Cara  Dura   mais  popular).     


Havia duas linhas de Ônibus, uma ligava Vila Leopoldina a Lapa, e a outra ligava a Vila Hamburguesa a Lapa, com a construção da ponte dos Remédios foi   inaugurada a linha Vila Remédios a Lapa,  pois antes para se atravessar o rio Tiête, era feito por uma Balsa para Caminhões e um Bote para pessoas. Com a  criação da (CMTC)Cia. Municipal de Transportes Coletivos na qual  a Prefeitura era  maior acionista, foram abertas duas linhas de onibus que ligava a Lapa a Praça Ramos de Azevedo, a linha 35 cujo ponto final era na Rua Domingos Rodrigues e a linha 36, sendo seu ponto final na Rua Coriolano perto da Rua Pio Xl, Outro meio de Transporte era o Bonde, que ligava a Vila Anástacio à Lapa, tendo como ponto final na Rua João Tibiriçá, onde era o Restaurante Recanto Anhanguera. Quando começou o calçamento da Rua do Corredor com paralelepípedos (Macacos), os ônibus começaram a circular pela Rua Aliança Liberal que era de terra. Quando chovia, os ônibus encalhavam onde é hoje o Supermercado Mambo. Quem  não se lembra até pouco tempo do buraco do boi, onde antigamente passava  a boiada que ia para o abate no Frigorífico  Armour,  tunel este de mão unica que  passava por baixo da via Anhanguéra e  servia  de ligação  do Parque São Domingos e Vila Mangalot  sentido  Lapa, só  para  automóveis,  em  2.010  foi  desativado e em seu  lugar foi  construido  um  viaduto.
Outro  meio  de  transporte  importante  para  a  Vila  Leopoldina  é  a  (EFS.) Estrada de ferro  Sorocabana  que  liga  a  Estação  da Luz   a  vários  municípios  entre  eles  Osasco,  Quitaúna, Barueri,  Itapevi,  ligando  tambem o  litoral  via Lapa, Leopoldina, Pinheiros, Sto. Amaro até  Peruibe. Hoje  a  estrada pertence  a  Fepasa.            
Não  podemos  esquecer  tambem da  E.F.S.J. ( A  Inglêsa  como  era  chamada )  a  antiga  SPR  -São Paulo  Railway  Co. Ltd.  que  liga  a  cidade de  Santos  a  Jundiaí,  tendo  sida  encampada  em  out./46,  quando  terminou  o  contrato.  Em  março/57  passa  para  a  Rede  Ferroviária  Federal,  hoje  quem  administra  é  a  CPTM.
Do  lado  da  Estação  da  Lapa  ficavam  as  oficinas  que  faziam  as  reparações  e  montagens  das  locomotivas,  a  importância  desses  trabalhadores podem  ser  observadas  no  nome  das  ruas  da  região,  entre  elas  a  rua Willian  Speers,  George  Schmidit,  John  Harrison,  Felix  Guilhem, Engenheiro  Fox,  Moxei,  Sheldon,  os  chefes  da  área  ferroviária  tiveram suas  casas  financiadas  em  ruas  como  a  Tomé  de  Souza,  Duarte  da Costa,  Mercedes,  as  casas  mais  simples eram  construidas  nas  ruas Cuevas,  e  Laurindo  de  Brito,  com  o  bairro  abrigando  tantas  casas  o Lapa  alcançava  o  progresso  atraindo  o  comércio  e  a  indústria  ao  redor a  estrada.
Com  o  desenvolvimento  ferroviário  a  Lapa  ganha  outra  Cia.  Inglêsa (Cia.  City,  para  marcar  sua  influência  na  região  com  loteamentos  na  área  residencial,  vendendo  terrenos  com  uma  boa  infra-estrutura  para a época,   ruas  com  guias e  sargetas,  luz  elétrica,  bueiros  com  galerias  para  a  coleta  de  águas  pluviais,  praças  e  ruas  arborizadas.

Na Rua Carneiro da Silva, esquina com a Rua Carlos Weber, onde era a Fábrica de Violões Gianinni, tinha uma grande cocheira de vacas.  Ali era tirado o leite, que era vendido nas imediações. Uma das famílias que comercializavam esse leite, era a do João Bom e sua esposa Dna. Mafalda Giaquinto (Os Caçarolas), A Vila Leopoldina era chamada de Barro Preto, pois quando chovia era impossível atravessar de carro ou a pé.

Na Rua Passo da Pátria perto da torre da Ligth tinha um túnel, e quando chovia as águas pluviais se acumulavam e se transformava em um tanque, a garotada tirava a roupa e pulava na água. Lugar de triste recordação, do acidente com o garoto Basílio da Família Cardoso, que em 1.944, aos 12 anos morreu eletrocutado na Torre de alta-tensão da Light quando brincava com os amigos. Tinha também onde hoje é o posto Médico um Posto Policial onde os delegados Antonio Bento Garcia e João Cardoso prestaram um grande serviço a população e um tanque cheio de água que chamavam de Banheira das Vacas por onde elas passavam para serem desinfetadas, No  início da Rua  Barão da Passagem tem um bosque com árvores  quase  centenárias apelidada  de (Bosquinho), ali  as pessoas se reuniam para espairecer, naquele  tempo nos dias feriados  várias famílias organizavam  passeios pelas trilhas do Pico do Jaraguá.
Na Praça José Roberto  no  Alto da Lapa existe um Coreto que antigamente  ali  as pessoas se reuniam  aos domingos para assistir  a apresentação de várias Bandas de Música.

Onde hoje é o Clube Pelé, havia vários campos de futebol e em volta tinha uma pista de ciclismo, que era usada também para corrida de Motocicletas. Algumas marcas de bicicletas daquele tempo: Biank, Philips, Monet-Goyon, Monark  e Lenhano. As motocicletas mais conhecidas eram da marca Norton, Jawa, BMW, Panther, Triunf, etc. Em 1.955 começaram a ser importadas as primeiras Motos (Lambretas). Na Vila Anastácio foi aberta uma fábrica com o nome de Lambreta do Brasil, depois vieram as Motos (Vespas) da Piaggio Italiana, que todos os garotos queriam possuir uma para fazer charme para as meninas.

Nesse mesmo período começaram a chegar os primeiros rádios portáteis movidos à pilha, marca Spica.

Quando tinha algum aniversário ou casamento, toda vizinhança era convidada. Não podia faltar o Sanfoneiro, esse era o tal. A Sanfona tinha vários nomes, como Harmônica ou Acordeon. Era muito comum as pessoas que tocavam algum instrumento musical se reunirem para ir as casas a noite para fazer serenata. (Sanfona marca Scandalli).

Em frente à Igreja entre as Ruas Marquês de Paraná e Barão da Passagem havia a Estação de Rádio Cruzeiro do Sul, mais tarde Rádio Piratininga PRB-6  que tomava todo quarteirão e era  bem arborizada. Os garotos ficavam bravos com o administrador, Sr. Oscar Travaglia que por segurança  não os deixava entrar nos jardins da Rádio.

O Sr. Aldemiro Tondin, meu pai, também era chamado de Valdemiro Encanador pelos seus clientes e Vô Miro pelos seus netos comprou o terreno em Agôsto de 1936  da City of São Paulo Improvements and  Freehold  Land  Company Limited com sede em Londres-Inglaterra, denominada (Companhia  City ),  construindo uma casa e  morando nesta até 14/04/2003, onde veio a falecer com 94 anos. Ele saia de bicicleta da Rua Aliança Liberal onde morava, até a Rua Albion na Lapa, para trabalhar na fábrica de Calhas do Sr. João Finoti, trabalhando nesta por quase trinta anos, quando a empresa fechou começou a trabalhar por conta própria até se aposentar, sua esposa minha mãe, Conceição Sevilha Tondin, chamada de Dna. Concha pelos amigos, e de Vó Mira, pelos netos. Era uma mulher decidida. Meu pai nunca precisou faltar ao trabalho, pois ela resolvia quase tudo sozinha, levava os filhos na escola, no posto médico, na farmácia tomar injeção, na cidade pagar a conta de Luz, no prédio da Light, hoje Eletropaulo, em frente onde era a Loja do Mappim. Fazia a lista das compras do Armazém. Uma vez por ano reunia as crianças para dar as bolinhas de Purgante (Vermífugo), para por as lombrigas fora. Quando as crianças tinham uma dor de barriga, já vinha ela com o chá de bico (Clister) para a lavagem intestinal. A família Tondin  é muito grande na zona oeste, muitos deles já  falecidos o Sr. Eduardo Tondin (Encanador) tocava cavaquinho morador na  Rua Domigos Rodrigues,  Dante Tondin (Técnico de Rádio) tocava  violão,  Guerino Tondin (Pintor) tocava Flauta,  Marcelo Tondin (Vendedor)  Júlio Tondin ( Pintor) pintou os anjos da parte interna da Igreja da Lapa, João Tondin e Augusto Tondin (Sapateiros).

Em Outubro de 1.954, com 15 anos, entrei no meu primeiro emprego com registro na carteira. Fui trabalhar como arquivista na empresa Sofunge, localizada na Vila Anastácio, trabalhando nesta por quase 10 anos.

Em Janeiro de 1.958, estava na hora de servir a Pátria, os amigos se dispersam, fui convocado para servir no Exército no 4o R. I. (Regimento de Infantaria) na C.C.S.v.(Cia. Comando de Serviços) em Quitaúna - SP. Eram cinco horas da manhã, e vários recrutas já estavam na estação de trem Domingos de Morais, nas imediações da Vila Anastácio para pegar o Trem Militar que demorava uns quarenta minutos até chegar a Quitaúna. Eu tive muita sorte,  fui trabalhar na SecMob (Serviço de Mobilização) No Serviço de Identificação dos Recrutas, trabalhavamos em quatro soldados Antonio Tondin, Américo Csengari Neto, Antonio Miguel Zulo, Miguel Fortes, faziamos o preenchimento das Carteiras de Identidade, correspondência militar, Ofícios Reservados, arquivos  das fichas de destino, para uma eventual Mobilização urgente, tudo em Máquinas de escrever marca  Remington ou Olivetti, Tinhamos cursos de Topográfia, Estatísticas e Armamentos. No Regimento, havia dez Companhias, e cada soldado era encaminhado para o Pelotão de acordo com sua profissão. Ex. Motorista para o pelotão Transportes, Pedreiro para o pelotão de Obras. Quem não tinha profissão, geralmente ia para o pelotão de Fuzileiros. O expediente encerrava as 16:00h. Quem não estava de plantão estava dispensado. Nas quartas-feiras, o expediente era até as 12:00 hs, Só ficava no Quartel quem estava de Serviço. Agôsto de 1.958, juramento a Bandeira. O campo estava cheio de Recrutas, nas arquibancadas os parentes. Minha Mãe Conceição Sevilha Tondin e meu irmão Walter Tondin, assistiam as solenidades. O comandante do 4o R.I., Cel. Euryale de Jesus Zerbine (Irmão do Dr. Euriclides de Jesus Zerbine - cardiologista pioneiro dos transplantes de Coração do Incor), começa a discursar sobre a importância do  juramento a  Bandeira. Terminada a solenidade, o recruta passa a pronto, quer dizer, passa a ser Soldado. Em Dezembro de 1.958, dei baixa e recebi o certificado militar de 1a Categoria.

Algumas famílias mais antigas do Bairro: De Pieri, Oliveira, Cardoso, Sevilha, Pacini, Tondin, Braghini,Toninato, Cabrera, Papp, Falova, Merlugo, Giaquinto (os Caçarolas), Tiseo,  Evangelista, Medeiros, Lobo, Ribeiro e Das Neves, sendo o Sr. Alberto das Neves sócio proprietário da empresa de onibus da Vila Hamburguesa, com o nome (Empresa de Auto Onibus Vila Hamburguesa), com a garagem na rua Trapandé hoje Rua Schilling,  depois vendida para a Empresa de Luis Gatti.  

A Vila Leopoldina na zona Oeste de São Paulo  passou  por  grandes  mudanças a partir da chegada da estrada de ferro com  a construção da Estação de Trem, na década de 50 com poucas casas, ruas de terra, muita mata, lagoas,  antes  área  rural  com  currais, chácaras e estábulos o Bairro se transformou em zona industrial já em processo de transformação para  comercial, As famílias de maior poder aquisitivo compravam grandes áreas de terra, depois de alguns anos com a valorização das mesmas preferiam lotear,  a família Cunha  do  sítio dos Cunhas  a direita do  início da Rua Corredor (Guaipá)  Cia.Agro Industrial Vila Ayrosa nas vila dos Remédios, E.Richter & Comp. Sítio Boaçava, Organização Mofarrej na Vila Leopoldina, Cia.Villares no Jaguaré, Zeitune  no Jaraguá, Empreendimentos Michel Haddad  no Jardim Haddad, Jardim Humaitá e  Vila Ribeiro de Barros  antiga Vila Sacrifício, tinha  esse  nome porque  as  casas eram construidas nos fins de semana  pelo  seus  próprios  donos etc.

Foi contada aqui neste pequeno resumo, à história das duas melhores décadas de quem viveu em São Paulo, naquela época não havia desemprego, havia muita educação, disciplina e respeito entre as pessoas, não havia consumo de drogas e bebidas entre os jovens, roubos e assassinatos eram muito raros. Hoje presenciamos famílias desagregadas, jovens consumindo drogas dentro das escolas, agredindo professores, pixando muros e se embriagando com bebidas alcoólicas.

                                              
                                                                           ANTONIO TONDIN  (TUTO)
                                                                                       (02/06/2011)

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