Vila Leopoldina
As pessoas se preparavam para mais um dia de trabalho.
Existiam nas redondezas várias empresas
para onde elas
se dirigiam: Frigorífico
Armour, na “Borracha” como era
chamada a Manufatura de Artigos
de Borracha e Plásticos
Pagé, no “Fósforo” como era
chamada a Cia.
Fiat Lux, na “Maizena”
como era chamada
a Refinações de
Milho Brazil, no
“Óleo Saúde” como
era chamada a
Cia. Anderson Clayton,
Sabonete Lever, Metalúrgica
Codiq, Laboratório Farmacêutico
Lorenzini, Fundição Sofunge, Rádios
Telespark, Tubos Hume,
no “Pó” como
era chamada a
Quartzolit, na “Caixinha’’ como era chamada a Indústria de
Embalagens Americanas, Honegger
Máquinas e Acessórios, etc.
Na descida do
abacateiro (início da Rua Aliança
Liberal) já se escutava
o sino do carroção de leite
(Vigor ) puxado à cavalo. Os moradores
colocavam os litros de vidro vazios na porta das casas, para serem
trocados pelos novos litros cheios de
leite. As carroças dos padeiros
entregavam os pães logo
pela manhã. Essa entrega
era marcada em caderneta, que no final do mês, quando a conta era quitada o
freguês ganhava um pão doce como brinde.
(Padaria do Sr. Genaro Grandino), e Padaria do Sr. Antonucci),quem não se
lembra do pão Sovado, da Chopa, do pão Suiço, pão D'água, do Filão hoje
(Bengala), dão até água na boca, tempo em que ainda não havia o terrível
bromato de potássio. As cadernetas também eram utilizadas nas compras no armazém
de “secos e
molhados”, e ao
final do mês,
a conta era
paga e o freguês ganhava uma
lata de marmelada
marca Peixe como brinde.
Em cada esquina da Rua do Corredor (atual Rua Guaipá), tinha
uma dessas Vendas,
onde se vendiam
arroz e Feijão
à granel. Havia
as vendas do
Roque Dyonisio Scavazza (Empório Bonfinense), José Cardoso, Josué de
Oliveira Paulino, Camilo Dias do Nascimento, Antonio Martinho, Totó (Antonio
Della Paolera) e a do
Porfírio Fernando dos Santos,
onde em frente a
mesma, tinha uma
bomba de gasolina
do Sr. Nicola,
que abastecia os
poucos carros daquela
época.
Outros
comerciantes da Rua
Corredor: Loja de
Armarinhos do Sr.
Anelo Tocci que existe
até hoje. O Sr. Angelo Ferrante
das bicicletas, loja de venda de peças, consertos e aluguél, o cliente escolhia
a bicicleta pagava Cr$. 5,00 e andava por 1:00 hora, Loja esta do lado com o
bar de um Sr. Apelidado de Argentino (Manoel Granado, Um dos primeiros barbeiros, Sr. Natalino
Domingos tinha uma
grande clientela, pois aos
Sábados tinhamos que
esperar a vez.
Os primeiros médicos
da Vila Leopoldina
foram: Dr. João
Neder na Rua do Corredor e
o Dr.
Lafayete Leite Ribeiro na Rua Curupaiti. Havia a Sociedade Beneficente Bandeirante onde
os sócios pagavam uma mensalidade
e tinham direito a assistência médica e
odontológica. Hoje o seu salão é alugado
para eventos, casamentos,
aniversários, etc.
Na esquina da Rua
Aliança Liberal com a Rua Cel.
Botelho havia o
bar do Sr.
Alberto Correa, onde as
pessoas iam jogar
Bilhar ( Snooker ou
Sinuca ) com seu filho Tinho.
Havia também várias escolas
particulares, uma delas
a do Sr.
José Joaquim (Zé Careca) com bons
trabalhos prestados aos moradores,
ensinando os primeiros passos para a alfabetização. No início da Rua Aliança Liberal tinha uma sala de aula, onde lecionava a Dona Maria,
que ensinava as crianças a ler e escrever.
Havia vários vendedores
de porta em porta. Um casal
com uma carroça
tipo diligência vendia batatinhas, um senhor com
uma sacola nas
costas vendia sementes, uma mulher
vendia fígado, outros
vendiam alho, o Sr.
Paschoal Evangelista era o
peixeiro. O Zé
das Cabras (José Grechi) ia pelas
ruas com várias
cabras, uma amarrada
as outras passando pelas casas vendendo leite tirado na hora, um
turco (mascate) vendia roupas com
uma charrrete, tudo marcado
em cadernetas e pago no fim
do mês.
Outros
vendedores: Água Mineral
Fontalis, de bananas,
guloseimas como: quebra-queixo, puxa-puxa,
sorvetes, e biscoito grosso de
polvilho, que era cortado com uma
serrinha e vendidos aos pedaços. Muito
gostoso também eram os canudos de
côco. Tinham também os homens que consertavam
à domicílio guardas-chuva, panelas, o (Sr. Jorge) sapatos, etc.
Algumas lojas e
produtos comercializados naquele
tempo, e muitos
vendidos até hoje. Lojas: Mappim, Pirani/Philco, Sears, Mesbla, Cassio Muniz,
Pernambucanas, Casa José Silva, Renner etc. Farmácia:Pomada Minancora,
Creme Rugol, Veramom,
Licor de Cacau Xavier, Biotônico Fontoura,
Emulsão de Scott, Xarope
São João, Vinho
Reconstituinte Silva Araujo, Pilulas de
Vida do Dr. Ross,
Água Ingleza, Sabonete
Lifebuoy, sabone Eucalol. Armazem: Cervejas
Antarctica, Brahma, Mossoro,
Caracú, Malzebier. Refrigerantes Guaraná,
Seven-up, Crush, Coca-Cola,
Água Tônica, Gasosa, Turbaina, Outros produtos:
Marmelada Peixe, Biscoitos
Duchen, Diziolli Balas e
Chocolates, Chocolates Falchi, Drops Dulcora, Balas
Bela Vista, Maizena, Chocolates
A Sultana, Lacta,
Chicletes Adams, J. Macedo (Dona
Benta), Toddy, Nestlé, Vigor, Aveia Quaker, Bom-Bril, Corante Guarany (tingir
roupas), Cera Parquetina (brilho no assoalho), era usada tambem uma pedra de
Anil para branquear as roupas, sabão só em pedra, para matar pernilongos era
usada uma Bomba manual
na qual era abastecida com
inseticida Flit ou Detefon que era pulverizado dentro das
residências. Os Cigarros: Beverli,
Everest, Continental, Fulgor, Macedonia, Hollywood, Adelpho. Algumas marcas de
Máquinas de Costura: Singer, Elgin, Vigorelli, Leonam. Alguns Jornais: O Estado
de São Paulo, Última Hora, Folha de São Paulo, e Revista O Cruzeiro, etc.
Os garotos se
preparam para ir a escola localizada no fim da Rua do Corredor (Guaipá)
lado esquerdo de
quem desce, entre
a venda do Sr.
Antonio Martinho e o açougue do Sr. Gino Frediani, onde era o Grupo Escolar de
Vila Leopoldina, escola esta do Governo do
Estado de São Paulo, na qual era Diretora a Dna. Nina. Algumas
professoras daquela época: Dna.Ana Zanini Scarlati, Rafaela, Bruna, Celina,
Sara, etc. As classes eram divididas em 3 horários: das 8:00 às 11:00h, das 11:00 às 14:00h e das
14:00 às 17:00h. Nós aprendemos a ler e escrever com a Cartilha Sodré e com o
livro Lições do Tio Emílio, tinhamos tambem os cadernos de brochura de Ocupação,
Linguagem, Caligrafia e Desenho, os cadernos de forma espiral eram só
permitidas no Ginásio, para escrever usava-mos uma caneta com uma pena na ponta
que era introduzida em um tinteiro que todas as carteiras possuiam, para evitar
borrões usava-se um mata-borrão, um papel especial que absorvia a tinta. Os materiais escolares
eram comprados da Cia. Melhoramentos Ind. de Papéis, Fritz Johansen, e Johan
Fabber. Com o fechamento desta escola os alunos foram transferidos para a
Escola Professor José Monteiro Boanova
no Alto da Lapa. Como naquele tempo as escolas das vilas não tinham o
curso Ginasial, nós tinhamos que fazer
um exame de Admissão para entrar no colégio Anhanguera, na Rua Clélia com a Rua
Nossa Senhora da Lapa, antiga Rua
Anastácio. Outras escolas Liceu Barbosa Lima, Campos
Sales, Olavo Bilac, Grupo Escolar Pereira Barreto, Conselheiro Lafayete,
Liceu Nossa Senhora da Lapa etc.
Os garotos que não iam a escola naquele período jogavam
futebol no Campo do A.P.Vasco da Gama
(Vasquinho) na Rua Montevidéo com a Rua Aliança Liberal, ali eram realizados
torneios da turma de cima (Açougue do Rivetti), contra a turma do meio (Padaria
Sr. Genaro) e contra a turma de baixo (Fá- brica de Borracha Pagé). Naquele
tempo a maioria
dos garotos jogavam futebol descalços, pois os pais não tinham condicões
financeiras para comprar um par de chancas (chuteiras) Alguns garotos que
jogavam futebol: Salim da família Oliveira, Dorobel Cabrera, Tuto (Antonio
Tondin), Henrique Rodrigues Cabrera, Nenê da Padaria (Wanderley Antonio
Cardoso), Irineu Roque dos Santos, (Zupa) Luis Adão, Fausto Medeiros, Walter
Tondin, Adilson Rivetti, Zéca (José Carlos Winckler), Walter Winckler, Adelino
Pinheiro, Haroldo Rivetti, Rodolpho Felipe que acidentou-se em sua casa, onde
hoje é o estacionamento do Supermercado Mambo, quando o caminhão do seu
padrasto, que transportava as mercadorias para trabalhar na feira, estava em
cima de um macaco para ser trocada a roda tombou em cima de sua perna. Foi uma
gritaria em plena madrugada, com os vizinhos correndo para socorre-lo. Sorte
que seu vizinho Sr. Afonso Correa possuia um carro de praça (taxi) e o levou ao
Hospital. Felizmente tudo acabou bem), e Abel (de triste lembrança, espetou um
prego enferrujado no pé e acabou morrendo de tétano). Outros garotos iam pescar
e nadar nas lagoas Tanque Azul e Prainha, onde fica hoje o Ceasa. Alguns iam
pegar passarinhos, outros iam na chácara Aliança (Rua Ziembinski), antiga Rua
Barão do Triunfo pegar jaboticabas. Tinham também os que arrumavam um gancho de
arame para empurrar um aro de metal, outros empurravam pneus usados pelas ruas.
Várias brincadeiras eram praticadas. Boca de Forno: farão
tudo que o mestre mandar, faremos
com muito gosto,
quem não cumpria a tarefa ficava
de castigo. Uma na mula: pessoa ficava agachada, as outras vinham e pulavam em cima.
Palha ou Chumbo: as pessoas ficavam de costas com as
mãos na parede, os outros vinham e iam pulando em cima até as crianças não
aguentarem mais, ai desmoronava tudo. Carrinho de carretel: fazia-se dois furos
numa pequena tábua, colocava-se um carretel na frente e outro atrás e com o
dedo indicador no carretel da frente controlava a direção, naquele tempo não
existia carrinho de plástico, somente de Baquelite. Alguns garotos jogavam
figurinhas (Bafo), a mão na forma de concha batia no monte de figurinhas, as
que viravam com a estampa para cima a pessoa ganhava. Havia vários álbuns de
figurinhas a seguir: Futebol - vinha enrolada em uma bala, tinha também as
carimbadas que eram mais difíceis de sair, portanto tinham mais valor, os
álbuns “Balas Seleções” tinham vários assuntos de conhecimentos gerais. Outros
álbuns de figurinhas: “Ídolos da Tela”, “Gata Borralheira”, “Marcelino Pão e
Vinho”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, essas já começaram a ser vendidas em envelopes. Havia
também figurinhas que vinham dentro do pacote de café Jardim. Quem conseguia
preencher o álbum ganhava prêmios, como bolas de futebol de Capotão, marca
Drible, que era de válvula e enchida com uma bomba de agulha. Antes as bolas
tinham uma câmara de ar com um bigolim que era colocado para dentro e costurada
formando uma boca. Havia uma brincadeira com bolinhas de vidro (Gude), que se
chamava “Bolinha a Box”. Se fazia cinco buracos no chão, e quem conseguia
colocar as cinco bolinhas no buraco ganhava o jogo. Alguns garotos empinavam
Quadrado (Pipa), outros jogavam pião, outros faziam Balões: Pião, Caixa,
Almofada, Barrica, Careca de Padre, Charuto, Bola, etc.
Outro jogo que os garotos gostavam era a Caixeta.
Colocava-se uma moeda em cima de uma caixa de fósforo em pé, uma outra moeda de
400 Reis era jogada contra a caixa a uma certa distância, quando derrubada, a
moeda que ficasse mais perto da caixa ia ganhando as mesmas. As meninas pulavam Amarelinhas, Ciranda de Roda, Pula-corda,
Esconde-esconde (Pegador).
Na Rua do Corredor eram montados vários Circos que chegavam
na região: Rubi, Umuarama, Alcebiades, Guarani, onde aos domingos de matinê
passava o seriado o Homem-aranha e o Escorpião. Também se apresentavam os
artistas Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco, Cascatinha Inhana, Simplício, e Arminda Falcão.
Alguns palhaços mais famosos de São Paulo, Arrelia
e Pimentinha, Piolim, Fuzarca e
Torresmo.
Alguns garotos gostavam de ler Gibis de Histórias em
quadrinhos, entre eles o do Mandrak, o Fantasma, Capitão América, Capitão
Marvel e o Dr.Silvana, Nabor o Príncipe Submarino, o Homem Borracha, o Pequeno
Sherif, Xuxá, Pato Donald, Zé Carioca, o
Reizinho, Popeye, praticamente todas Importadas
dos EUA.
Também eram montados vários parques de Diversão. No mês de
Junho começavam as festas Juninas, com Quermesse nas várias Igrejas da região,
entre elas a da Igreja N.S. Fátima, na Rua Barão da Passagem no Alto da Lapa.
Naquela época o rádio já tinha uma grande importância como
meio de comunicação, um dos que mais se destacava era o reporter (Esso)
testemunha ocular da história, com os reporteres Calil Filho e Heron Domingues,
tinha também vários programas: (O Trabuco) Jornalistico com Vicente Leporace, (
O Clube do Papai Noél ) programa infantil com Homéro Silva, Nhô Totico
escolinha da Dna. Olinda, na hora do almoço(Torre de Babel) humorístico,escrito
por Manoel da Nobrega, a (história das malocas) Charutinho com Adoniram
Barbosa, Balança Mas Não Cai, e a tarde aos sábados (Peneira Rhodine) calouros,
nos Domingos as 18:00 hs.( Festa na Roça) com música caipira e sertaneja, a
noite (PRK-30) humor com Lauro Borges e Castro Barbosa e as 22:00 hs. (Hora da
Saudade) com Moraes Sarmento, só músicas brasileiras valsas e chorinhos,
locutores esportivos Pedro Luis e Raul Tabajara, cantores Francisco Alves,
Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Orlando Silva o cantor das multidões, algumas cantoras Hebe Camargo,
Vilma Bentivegna, Lana Betancourt, Dalva de Oliveira, Araci de Almeida, algumas
marcas de rádios daquele tempo ( Zenith, Philco Philips). Não podemos também
esquecer das Rádios-Vitrolas, em um único móvel, em baixo o Rádio e em cima a
Vitrola que tocava disco apelidado de
(bolacha) feito com material duro e tendo uma música de cada lado mais tarde
vieram os discos de Vinil com 8 músicas de cada lado, uma das gravadoras muito conhecida naquele
tempo era a RCA, tinhamos tambem
a Continental, Odeon etc. Alguns musicos
famosos Pixinguinha (saxo-fone),
Altamiro Carrilho e Benedito Lacerda (Flauta) etc.
Um dos meios de comunicação mais precários daquela época era
o Telefone. Poucas pessoas tinham uma linha, seu custo era alto, e o prazo de
entrega, poderia demorar de 5 a 10 anos. Para se ter uma
idéia, ligar da Lapa para Osasco, precisava pedir linha para a telefonista e o
tempo de espera era de aproximadamente
2:00 horas.
Depois chegou a era do Cinema, onde vários foram construídos
na região. O Cine Bagdá (Ararat) na Rua do Corredor (Guaipá), Dois filmes à
noite, e aos domingos matinê com dois filmes e um seriado: Flash-Gordon,
Perigos de Nyoka, os Tambores de Fumanchú, Jim das Selvas, com Jonny-Weismuller
(Tarzan). Cine Brasília na Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, onde até pouco tempo
era o Supermercado Pão de Açúcar, Cine Santo Estevão na Vila Anastácio do lado
da Igreja, Cine Nacional na Rua Clélia era o maior de todos com mais de mil
lugares, onde até pouco tempo era a casa de espetaculos (Olimpia), Cine
Tropical na Rua Roma, onde é hoje o Banco Itaú, Cine Recreio na Lapa de Baixo
em frente onde era a Fábrica Martins Ferreira, Cine Carlos Gomes na Rua 12 de
Outubro, onde hoje é a Lojas Americanas, Alguns atôres e atrizes daquela
época James Stewart, Gary Cooper, Toni
Curtis, Humphrey Bogart, Ray Milland, Bing Crosby, Glenn Ford, Kirk Douglas,
Antony Quinn, Victor Mature, David Niven, Burt Lancaster, Gregory Peck, Mario
Moreno (Cantinflas), Elizabeth Taylor, Rita Hayworth, Joan Crawford, Jane
Russell, Dorothy Lamour, Vivian Leigh, Loretta Yong, Jane Wyman, Yvonne de
Carlo, Lucille Ball, Lana Turner, Ava Gardner, Dorys Day, Hedy Lamar, Tonia
Carrero, Fada Santoro, Eliana Lage, Dercy Gonçalves. Alguns filmes: Sansão e
Dalila, Manto Sagrado, Casa Blanca, Quo Vadis, Os Últimos Dias de Pompéia,
Cleópatra, E o Vento Levou, Tarzan e as Amazonas, etc. Naquele tempo foram abertas várias empresas cinematográficas no Brasil
uma delas a Vera-Cruz, produzindo alguns filmes famosos como o
Cangaceiro protagonizado por Milton
Ribeiro como Lampião, Tico-Tico no Fubá com Anselmo Duarte fazendo o papel do
compositor Zequinha de Abreu, Sinha-Moça, Tinhamos tambem a Atlântida
Cinematográfica com o filme Carnaval na
Atlântida com os artistas
Oscarito e Grão de Otelo, Aviso aos Navegantes, etc.
Algumas Empresas
Americanas daquela época: Columbia Pictures, Paramont
Pictures, Republic Studios, Metro Goldwyn Mayer,
RKO. Radio Pictures, United
Artists Corp., Universal
International, Warner Bros, 20Th. Century Fox. etc.
O Brasil
foi 1o. pais da América do Sul que fez do cinema um espetáculo, em 1.897
no Teatro Lucinda no Rio de Janeiro estreou o Kinetógrafo um projetor de fotografias animadas.
Naquela época, com o surgimento da Televisão, foi inaugurado
no Brasil em 12 de setembro de 1.950 o primeiro canal de televisão da América
Latina com o nome de TV/Tupi, tendo como simbolo o rosto de um Índio, os
equipamentos foram comprados nos EUA e montados
no Brasil com ajuda de técnicos
Americanos, quando as imagens entraram
no ar foi percebido que nós não tinhamos aparelhos de TV., imediatamente o Sr.
Assis Chateaubriand comprou dos EUA 200 aparelhos, na qual foram
espalhados em vários pontos da cidade de
São Paulo. Nesse período começaram a chegar os primeiros aparelhos da marca
(Admiral e Invictus) branco e preto
importados, controle remoto não existia, poucas pessoas tinham condições de
comprar um, a saída era ir aos bares da redondeza onde tinha o aparelho, alguns
dos programas de maior audiência era as Grandes Atrações Pirani/Philco, TV de
Vanguarda, Camera Um, Imagens do Dia (Homero Silva), Pinga-Fogo (Almir
Guimarães), Mappim Movietone (Roberto Corte Real), Reporteres, Carlos Spera,
Murilo Antunes Alves, José Carlos de Moraes o Tico-Tico, tinhamos tambem o Circo do Arrelia, Sítio do
Pica-Paú-Amarelo, Alguns dos primeiros artistas da TV. Walter Foster, Vida
Alves dando o primeiro beijo na televisão, Lima Duarte (Novelas), Aurélio
Campos (O céu é o Limite) Hebe Camargo, Nair Belo, Ivon Curi ( Programa de
Auditório) Ayrton Rodrigues, Lolita Rodrigues (Almoço com as Estrelas), Manoel
da Nobrega (Praça da Alegria) Eva Wilma e John Herbert (Alô Doçura), J.
Silvestre, Blota Jr. ( Entrevistas) Um dos primeiros diretores de TV. Sr.
Cassiano Gabus Mendes. Mais tarde foram inauguradas a TV. Record, TV. Excelsior
etc. No fim da Rua do Corredor, lado esquerdo onde é hoje um posto de gasolina,
era o bar do Gama. Antes de ir para a escola, íamos assistir o desenho do
Pica-pau. Tinha também um aparelho em um bar em frente ao Colégio Basílides de
Godoy e outro, em um bar na Rua Aliança Liberal, esquina com a Rua Cel. Botelho,
bar do Português, que aos domingos, lotava, quando passava o jogo de futebol
entre o Palmeiras e o Corinthians. Bar de triste recordação, pois ali foi
assassinado o soldado do exército Geraldo, filho do Delegado, Antonio Bento Garcia, por um soldado da Força-Pública, hoje
Polícia Militar, em uma discussão sobre
a quebra de uma
bicicleta.
Aos domingos tínhamos poucas opções de lazer, uma delas era
assistir aos jogos de futebol no campo do A.P. Vasco da Gama (Vasquinho).
Vários jogos aconteciam ali: Vasco x Bela Aliança, Vasco x Serrote, Vasco x
Continental, Vasco x 11 Irmãos Patriotas, Vasco x 9 de Julho F.C., Alguns
jogadores do Vasquinho: Batatais, Coque, Bica (Amilcar de Oliveira), Miolo,
Paco, Ramom Sevilha, Fausto Medeiros, Jaguaré, Piste. O Sr. Martins (Alfaiate)
morava na sede do Vasco, na esquina da Rua Aliança Liberal com a Caromandel.
Ali eram guardadas as Taças, Troféus, Bolas e camisas do clube. Tinhamos
tambem outros clubes: Ipiranga, Comercial, Nacional, União Lapa,
Lapeaninho, etc.
Quando se escutava a sirene do carro do Corpo de Bombeiros
descendo a Rua do Corredor, já se sabia que algo de grave havia acontecido. Os
garotos iam nadar nas lagoas onde hoje é o Ceasa, e muitos ali morreram.
Quem não se lembra da Farmácia do Sr. Domingos Giubbina a
primeira fármacia da Vila Leopoldina ,
também na Rua do Corredor, que era o pavor da garotada, pois quem ali entrava,
na certa tomava uma injeção. Outra pessoa muito conhecida era Dna. Maria Mineira
(benzedeira), uma velha negra, que diziam ter sido escrava. Em sua casa, benzia
contra várias doenças, como: Mijacão, Empinge, Cobreiro, Mau-olhado, Nó nas
tripas (Dor de Barriga). Dna. Arminda aplicava injeção à Domicílio. Mais um
conhecido, Sr. Joaquim das Botas, tinha esse nome porque as solas das botas iam
se gastando e ele não queria gastar dinheiro ia pregando um couro em cima do
outro, assim as botas não acabavam nunca.
No tempo das podas das Árvores da City Lapa, os galhos eram
transportados por carroções puxados a cavalos, e os garotos aproveitavam para
chocarem (pedir carona).
Naquele tempo não havia Banca de Jornal no bairro, quando
acontecia um fato importante, como roubo ou assassinato, o Jornaleiro Giovanni
vinha gritando pela rua o acontecido. Como o brutal assassinato da menina
Wilma. Ela vinha da Vila Hamburguesa para a Igreja de Vila Leopoldina, para
fazer o catecismo, quando foi morta brutalmente e jogada em um buraco na Rua
Marquês de Paraná, sendo que até hoje o caso não foi esclarecido. Não tínhamos
médicos na vila. Quando alguém ficava doente, tinha que ser chamado um médico
da Lapa, como o Dr. Mario Rego Valença, Dr. Orwille, Dr. Vaz do Amaral, Dr.
Efraim, Dra. Berta Sbrighi, ou o Dr. Pomponet. O mesmo problema acontecia com
os Dentistas, pois quando a dor nos incomodava, tinhamos que ir até a Lapa,
consultar com Dr. Cid Valente com consultório na Rua Doze de Outubro. Também
não havia agência dos Correios, carteiros, nem agências Bancárias. Ponto de
Táxi só na Lapa.
Os primeiros Chauffeurs de Praça (palavra francesa), hoje
taxista, da Rua Aliança Liberal: Sr. Dionísio Cabrera marido da Dona Mercedes,
e o Sr. Afonso Correa marido de Dona Odete. Algumas marcas e modelos de
Automóveis daquela época: Mercury, Studbaker, Morris, Vanguard, Packard,
Plimouth, Fiat-Topolino, Citroen, Renault (Rabo Quente), Ford, Chevrolet,
Austin, Volkswagem (Fusca), Anglia e Prefect, muito usados nas Auto-Escolas.
Até o início da década de 1.940, alguns
carros ainda não possuiam motor de arranque, e o motor só pegava na manivela de
ferro, que ao ser introduzida no mesmo, e girada com as mãos várias vezes ligava o motor. O motorista corria então para
o carro, e pisava no acelerador, para ter certeza que o motor tinha ligado.
Nos casamentos quando a família não tinha automóvel,
geralmente alugava-se um de praça, que
já vinha enfeitado com flôres na parte interna, todos os convidados saiam da
casa da noiva
e acompanhavam até a
igreja, Contratava-se também
um fotógrafo profissional que
usava uma máquina que ao
ser acionado o
flash acendia uma
lâmpada que se
queimava, lâmpada essa
trocada imediatamente por
uma nova assim
sucessivamente, depois iam
para a revelação
e a montagem
do albúm de recordação
das fotos tiradas
no casamento, muitas
noivas depois da cerimonia religiosa iam até a Lapa tirar as fotos principais em um estúdio
fotográfico.
Mês de Fevereiro chega o Carnaval, as famílias levavam seus
filhos no Cine Carlos Gomes, situado na Rua 12 de Outubro na Lapa, durante o
dia o baile era das crianças (Matinê) com concursos de fantasias e a noite para
os adultos. Tinha também o Carnaval na
rua 12 de Outubro, onde desfilavam
várias escolas de samba, os blocos que mais se destacavam era dos Cordões dos
Moderados da Lapa, passavam também grandes carros alegóricos.
Quando falecia alguém
nas redondezas o
velório era feito
em casa, na sala
onde ficava o caixão
as paredes eram cobertas com
um pano roxo,
geralmente o enterro
era feito a pé, pois
era muito cansativo,
e as pessoas
que carregavam o
caixão iam se
revezando até o cemitério da Lapa (Goiabeira como era chamado),
localiza-se atráz do Parque da Lapa,
antigamente chamado de (Morro do Querosene), porque não havia luz eletrica e as
pessoas acendiam lampeões a Querosene
para iluminar as casas.
Naquele tempo só
se construiam casas
e sobrados, prédios
só no centro
da cidade, as
ruas eram de
terra, água potável
somente de poço tirada
com um balde amarrado
em uma corda
em um sarilho, esgoto tratado
não existia, todas
as casas possuiam
uma fossa séptica no fundo do
quintal bem distante
do poço para
evitar a contaminação pelos excrementos, fávelas não
existiam somente cortiços,
isto é em um quintal eram construidas várias casas
com 2 comodos
que eram alugadas para
as famílias tendo banheiro
e poço coletivo.
Não tinhamos iluminação
pública nas ruas, foi
a empresa Canadense
The São Paulo
Tranway Light &
Power Co. Ltd. que
começou a tirar
São Paulo da
escuridão, sendo tambem
a responsável pelo
transporte por meio
de bondes (Camarão de
Luxo e o
Cara Dura mais
popular).
Havia duas linhas de Ônibus, uma ligava Vila Leopoldina a
Lapa, e a outra ligava a Vila Hamburguesa a Lapa, com a construção da ponte dos
Remédios foi inaugurada a linha Vila
Remédios a Lapa, pois antes para se
atravessar o rio Tiête, era feito por uma Balsa para Caminhões e um Bote para
pessoas. Com a criação da (CMTC)Cia.
Municipal de Transportes Coletivos na qual
a Prefeitura era maior acionista,
foram abertas duas linhas de onibus que ligava a Lapa a Praça Ramos de Azevedo,
a linha 35 cujo ponto final era na Rua Domingos Rodrigues e a linha 36, sendo
seu ponto final na Rua Coriolano perto da Rua Pio Xl, Outro meio de Transporte
era o Bonde, que ligava a Vila Anástacio à Lapa, tendo como ponto final na Rua
João Tibiriçá, onde era o Restaurante Recanto Anhanguera. Quando começou o
calçamento da Rua do Corredor com paralelepípedos (Macacos), os ônibus
começaram a circular pela Rua Aliança Liberal que era de terra. Quando chovia,
os ônibus encalhavam onde é hoje o Supermercado Mambo. Quem não se lembra até pouco tempo do buraco do
boi, onde antigamente passava a boiada
que ia para o abate no Frigorífico
Armour, tunel este de mão unica
que passava por baixo da via Anhanguéra
e servia
de ligação do Parque São Domingos
e Vila Mangalot sentido Lapa, só
para automóveis, em 2.010
foi desativado e em seu lugar foi
construido um viaduto.
Outro meio de
transporte importante para
a Vila Leopoldina
é a (EFS.) Estrada de ferro
Sorocabana que liga
a Estação da Luz
a vários municípios entre eles
Osasco, Quitaúna, Barueri, Itapevi,
ligando tambem o litoral via Lapa,
Leopoldina, Pinheiros, Sto. Amaro até
Peruibe. Hoje a estrada pertence a Fepasa.
Não podemos esquecer
tambem da E.F.S.J. ( A Inglêsa
como era chamada )
a antiga SPR
-São Paulo Railway Co. Ltd.
que liga a
cidade de Santos a
Jundiaí, tendo sida
encampada em out./46,
quando terminou o
contrato. Em março/57
passa para a
Rede Ferroviária Federal,
hoje quem administra
é a CPTM.
Do lado da
Estação da Lapa
ficavam as oficinas
que faziam as
reparações e montagens
das locomotivas, a
importância desses trabalhadores podem ser observadas
no nome das
ruas da região,
entre elas a rua Willian Speers, George
Schmidit, John Harrison,
Felix Guilhem, Engenheiro Fox,
Moxei, Sheldon, os
chefes da área
ferroviária tiveram suas casas financiadas
em ruas como
a Tomé de
Souza, Duarte da Costa,
Mercedes, as casas
mais simples eram construidas
nas ruas Cuevas, e
Laurindo de Brito,
com o bairro
abrigando tantas casas
o Lapa alcançava o
progresso atraindo o
comércio e a
indústria ao redor a estrada.
Com o desenvolvimento ferroviário
a Lapa ganha
outra Cia. Inglêsa (Cia.
City, para marcar
sua influência na
região com loteamentos
na área residencial,
vendendo terrenos com
uma boa infra-estrutura para a época, ruas com
guias e sargetas, luz
elétrica, bueiros com
galerias para a
coleta de águas
pluviais, praças e
ruas arborizadas.
Na Rua Carneiro da Silva, esquina com a Rua Carlos Weber,
onde era a Fábrica de Violões Gianinni, tinha uma grande cocheira de
vacas. Ali era tirado o leite, que era
vendido nas imediações. Uma das famílias que comercializavam esse leite, era a
do João Bom e sua esposa Dna. Mafalda Giaquinto (Os Caçarolas), A Vila
Leopoldina era chamada de Barro Preto, pois quando chovia era impossível
atravessar de carro ou a pé.
Na Rua Passo da Pátria perto da torre da Ligth tinha um
túnel, e quando chovia as águas pluviais se acumulavam e se transformava em um
tanque, a garotada tirava a roupa e pulava na água. Lugar de triste recordação,
do acidente com o garoto Basílio da Família Cardoso, que em 1.944, aos 12 anos
morreu eletrocutado na Torre de alta-tensão da Light quando brincava com os
amigos. Tinha também onde hoje é o posto Médico um Posto Policial onde os
delegados Antonio Bento Garcia e João Cardoso prestaram um grande serviço a
população e um tanque cheio de água que chamavam de Banheira das Vacas por onde
elas passavam para serem desinfetadas, No
início da Rua Barão da Passagem
tem um bosque com árvores quase centenárias apelidada de (Bosquinho), ali as pessoas se reuniam para espairecer, naquele tempo nos dias feriados várias famílias organizavam passeios pelas trilhas do Pico do Jaraguá.
Na Praça José Roberto
no Alto da Lapa existe um Coreto
que antigamente ali as pessoas se reuniam aos domingos para assistir a apresentação de várias Bandas de Música.
Onde hoje é o Clube Pelé, havia vários campos de futebol e
em volta tinha uma pista de ciclismo, que era usada também para corrida de
Motocicletas. Algumas marcas de bicicletas daquele tempo: Biank, Philips,
Monet-Goyon, Monark e Lenhano. As
motocicletas mais conhecidas eram da marca Norton, Jawa, BMW, Panther, Triunf,
etc. Em 1.955 começaram a ser importadas as primeiras Motos (Lambretas). Na
Vila Anastácio foi aberta uma fábrica com o nome de Lambreta do Brasil, depois
vieram as Motos (Vespas) da Piaggio Italiana, que todos os garotos queriam
possuir uma para fazer charme para as meninas.
Nesse mesmo período começaram a chegar os primeiros rádios
portáteis movidos à pilha, marca Spica.
Quando tinha algum aniversário ou casamento, toda vizinhança
era convidada. Não podia faltar o Sanfoneiro, esse era o tal. A Sanfona tinha
vários nomes, como Harmônica ou Acordeon. Era muito comum as pessoas que
tocavam algum instrumento musical se reunirem para ir as casas a noite para
fazer serenata. (Sanfona marca Scandalli).
Em frente à Igreja entre as Ruas Marquês de Paraná e Barão
da Passagem havia a Estação de Rádio Cruzeiro do Sul, mais tarde Rádio
Piratininga PRB-6 que tomava todo
quarteirão e era bem arborizada. Os
garotos ficavam bravos com o administrador, Sr. Oscar Travaglia que por
segurança não os deixava entrar nos
jardins da Rádio.
O Sr. Aldemiro Tondin, meu pai, também era chamado de
Valdemiro Encanador pelos seus clientes e Vô Miro pelos seus netos comprou o
terreno em Agôsto de 1936 da City of São
Paulo Improvements and Freehold Land
Company Limited com sede em Londres-Inglaterra, denominada
(Companhia City ), construindo uma casa e morando nesta até 14/04/2003, onde veio a
falecer com 94 anos. Ele saia de bicicleta da Rua Aliança Liberal onde morava,
até a Rua Albion na Lapa, para trabalhar na fábrica de Calhas do Sr. João
Finoti, trabalhando nesta por quase trinta anos, quando a empresa fechou
começou a trabalhar por conta própria até se aposentar, sua esposa minha mãe,
Conceição Sevilha Tondin, chamada de Dna. Concha pelos amigos, e de Vó Mira,
pelos netos. Era uma mulher decidida. Meu pai nunca precisou faltar ao
trabalho, pois ela resolvia quase tudo sozinha, levava os filhos na escola, no
posto médico, na farmácia tomar injeção, na cidade pagar a conta de Luz, no
prédio da Light, hoje Eletropaulo, em frente onde era a Loja do Mappim. Fazia a
lista das compras do Armazém. Uma vez por ano reunia as crianças para dar as
bolinhas de Purgante (Vermífugo), para por as lombrigas fora. Quando as
crianças tinham uma dor de barriga, já vinha ela com o chá de bico (Clister)
para a lavagem intestinal. A família Tondin
é muito grande na zona oeste, muitos deles já falecidos o Sr. Eduardo Tondin (Encanador)
tocava cavaquinho morador na Rua Domigos
Rodrigues, Dante Tondin (Técnico de
Rádio) tocava violão, Guerino Tondin (Pintor) tocava Flauta, Marcelo Tondin (Vendedor) Júlio Tondin ( Pintor) pintou os anjos da
parte interna da Igreja da Lapa, João Tondin e Augusto Tondin (Sapateiros).
Em Outubro de 1.954, com 15 anos, entrei no meu primeiro
emprego com registro na carteira. Fui trabalhar como arquivista na empresa
Sofunge, localizada na Vila Anastácio, trabalhando nesta por quase 10 anos.
Em Janeiro de 1.958, estava na hora de servir a Pátria, os
amigos se dispersam, fui convocado para servir no Exército no 4o R.
I. (Regimento de Infantaria) na C.C.S.v.(Cia. Comando de Serviços) em Quitaúna
- SP. Eram cinco horas da manhã, e vários recrutas já estavam na estação de
trem Domingos de Morais, nas imediações da Vila Anastácio para pegar o Trem
Militar que demorava uns quarenta minutos até chegar a Quitaúna. Eu tive muita
sorte, fui trabalhar na SecMob (Serviço
de Mobilização) No Serviço de Identificação dos Recrutas, trabalhavamos em
quatro soldados Antonio Tondin, Américo Csengari Neto, Antonio Miguel Zulo,
Miguel Fortes, faziamos o preenchimento das Carteiras de Identidade,
correspondência militar, Ofícios Reservados, arquivos das fichas de destino, para uma eventual
Mobilização urgente, tudo em Máquinas de escrever marca Remington ou Olivetti, Tinhamos cursos de
Topográfia, Estatísticas e Armamentos. No Regimento, havia dez Companhias, e
cada soldado era encaminhado para o Pelotão de acordo com sua profissão. Ex.
Motorista para o pelotão Transportes, Pedreiro para o pelotão de Obras. Quem
não tinha profissão, geralmente ia para o pelotão de Fuzileiros. O expediente
encerrava as 16:00h. Quem não estava de plantão estava dispensado. Nas
quartas-feiras, o expediente era até as 12:00 hs, Só ficava no Quartel quem
estava de Serviço. Agôsto de 1.958, juramento a Bandeira. O campo estava cheio
de Recrutas, nas arquibancadas os parentes. Minha Mãe Conceição Sevilha Tondin
e meu irmão Walter Tondin, assistiam as solenidades. O comandante do 4o
R.I., Cel. Euryale de Jesus Zerbine (Irmão do Dr. Euriclides de Jesus Zerbine -
cardiologista pioneiro dos transplantes de Coração do Incor), começa a
discursar sobre a importância do
juramento a Bandeira. Terminada a
solenidade, o recruta passa a pronto, quer dizer, passa a ser Soldado. Em
Dezembro de 1.958, dei baixa e recebi o certificado militar de 1a
Categoria.
Algumas famílias mais antigas do Bairro: De Pieri, Oliveira,
Cardoso, Sevilha, Pacini, Tondin, Braghini,Toninato, Cabrera, Papp, Falova,
Merlugo, Giaquinto (os Caçarolas), Tiseo,
Evangelista, Medeiros, Lobo, Ribeiro e Das Neves, sendo o Sr. Alberto
das Neves sócio proprietário da empresa de onibus da Vila Hamburguesa, com o
nome (Empresa de Auto Onibus Vila Hamburguesa), com a garagem na rua Trapandé
hoje Rua Schilling, depois vendida para
a Empresa de Luis Gatti.
A Vila Leopoldina na zona Oeste de São Paulo passou
por grandes mudanças a partir da chegada da estrada de
ferro com a construção da Estação de
Trem, na década de 50 com poucas casas, ruas de terra, muita mata, lagoas, antes
área rural com
currais, chácaras e estábulos o Bairro se transformou em zona industrial
já em processo de transformação para
comercial, As famílias de maior poder aquisitivo compravam grandes áreas
de terra, depois de alguns anos com a valorização das mesmas preferiam
lotear, a família Cunha do
sítio dos Cunhas a direita do início da Rua Corredor (Guaipá) Cia.Agro Industrial Vila Ayrosa nas vila dos
Remédios, E.Richter & Comp. Sítio Boaçava, Organização Mofarrej na Vila
Leopoldina, Cia.Villares no Jaguaré, Zeitune
no Jaraguá, Empreendimentos Michel Haddad no Jardim Haddad, Jardim Humaitá e Vila Ribeiro de Barros antiga Vila Sacrifício, tinha esse
nome porque as casas eram construidas nos fins de
semana pelo seus
próprios donos etc.
Foi contada aqui neste pequeno resumo, à história das duas
melhores décadas de quem viveu em
São Paulo , naquela época não havia desemprego, havia muita
educação, disciplina e respeito entre as pessoas, não havia consumo de drogas e
bebidas entre os jovens, roubos e assassinatos eram muito raros. Hoje
presenciamos famílias desagregadas, jovens consumindo drogas dentro das
escolas, agredindo professores, pixando muros e se embriagando com bebidas
alcoólicas.
ANTONIO TONDIN (TUTO)
(02/06/2011)
